DESENCANTO


Tu reclamas da sorte que é madrasta,
que fere, que castiga e te amargura,
e sofres, reclamar porém não basta,
para se dissipar a desventura...

Mas não invejes quem se mantém
sem manchas de pecado, de alma pura,
que até mesmo a pureza se desgasta,
e quando se desgasta, não tem cura.

É inútil reclamar e chorar tanto,
porque apesar de todo o desencanto
não foste relegada ao desprazer.

E lembra que há, no mundo, mulher casta
que a sorte lhe sorriu, não foi madrasta,
mas "passou pela vida sem viver".

Maria Nascimento Santos Carvalho