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DESCRENÇA
Não tenho a mesma crença do passado,
e a tudo assisto com indiferença,
porque meu coração já destroçado
cansou de dar abrigo à minha crença.
Pois, sendo vida afora injustiçado,
desiludido, em sua dor imensa,
meu coração, pondo a razão de lado,
não quis mais esconder sua descrença...
Mas, eu, que ingenuamente, em tudo cria,
separando o real da fantasia,
vi quanto a fantasia me enganou...
Finda a crença que eu tive desde criança,
vi ruir meu castelo de esperança,
e tudo mais, em mim, desmoronou...
Maria Nascimento Santos
Carvalho

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