O rio vai-se arrastando, preguiçosamente,
entre duas margens ornamentadas pela vegetação.
O andar vagaroso do rio, repetido diaadia,
vai desgastando as margens
e desintegrando a terra
até deixar as ribanceiras carcomidas,
danificadas e sem estética.
Os barrancos sofrem a deterioração
do passar vagaroso das águas do rio,
e a vegetação ribeirinha vai-se desprendendo
do solo frágil, carcomido e danificado.
As águas mansas,
no remanso das horas quietas,
saem carregando, preguiçosamente, a moldura do rio
que, antes de ser destruída
pelo andar vagaroso das águas,
se chamava vegetação e tornava mais amena
a tristeza angustiante do rio.
À noite,
manso, de águas preguiçosas, o rio parece
mais lerdo, porém mais barulhento,
mais triste, mais volumoso, mais fundo,
e muito mais ameaçador.
E nas noites cinzentas, sem réstias de lua,
a vegetação ribeirinha que ainda resiste
à ação demolidora das águas tranqüilas,
se perde na escuridão apavoradora do rio...
E aqueles que passam por ele
se contagiam com a angústia das águas
que correm, preguiçosamente, a caminho do mar,
seu último refúgio, e nem percebem que,
cada dia que passa,
se dirigem velozes ou preguiçosamente,
para o caminho do fim...
Maria Nascimento Santos Carvalho