Falsa Imaginação


No silêncio da madrugada,
imaginariamente, ouço ruídos
vindos de todos os lados.

O tique-taque do relógio de parede
me angustia e me faz sentir
como se ouvisse um barulho ensurdecedor
e espanta, cada vez mais,
o sono, há muito, já escasso.

A cantiga do vento lá fora
invade meus ouvidos
me dando a sensação
de ouvir estrondos de trovões.

Depois, escuto, incessantemente, o ranger
das dobradiças da porta,
passos descompassados
e uma voz familiar balbuciando o meu nome.

Como se despertasse de um sono profundo,
percebo que a minha imaginação
justa ou injustamente,
parece trazê-lo de volta,
tentando iludir o meu coração
nas madrugadas de abandono e de solidão ...

De manhã, depois de um sono pesado,
desperto, espreguiço-me ...
suspiro enfadonhamente, volto à realidade
e constato que tudo foi apenas
mais um delírio da minha imaginação ...

Maria Nascimento Santos Carvalho