MENSAGENS

Senhor: um medo infinito
ao ter que julgar me assusta,
premida pelo conflito
entre ser boa e ser justa!

No momento em que partiste
pranteei minha viuvez...
Foi o trajeto mais triste
que uma lágrima já fez...

Sinto que o amor se desgasta
em tuas cartas que leio,
porque ternura não basta
apenas pelo correio.

As razões dos teus deslizes
tantas mágoas me causaram
que as marcas das cicatrizes
nunca mais cicatrizaram...

Vendo a desordem na areia
da antiga praia serena,
que pena da praia cheia!
Da praia suja... que pena!

Solidários nas desgraças
dos males que não têm cura,
os olhos servem de taças
para o vinho da amargura!...

Mamãe, tua idade avança
e eu, triste, não me consolo
porque sou sempre a criança
que precisa do teu colo!...

Tantas injúrias trocamos,
que, mutuamente ofendidos
agora nos encontramos
como dois desconhecidos.

A vida me faz cobrança
pelas chances que me deu...
Mas meus mitos de criança,
Roubou-me, e não devolveu...

Quem me chama de palhaço
com ironia na voz.
Nem sente que há sempre um traço
de palhaço em todos nós...

Misterioso e impreciso,
teu amor, foi, na verdade,
inferno, céu, paraíso,
solidão, mágoa... e saudade...

Não me orgulho em fracassar
quando as derrotas assumo...
é que eu não posso mudar
um rumo que não tem rumo!

Ensina com tolerância
à criança pequenina
a ver o que é bom na infância,
que o restante a vida ensina...

Quando você me critica
e aos amigos faz venenos,
o seu próprio gesto indica
qual de nós dois vale menos.

Entregue à volúpia cega
que anula a voz da razão,
meu coração não se entrega,
mas eu me entrego à paixão...

Se a distância por maldade,
tua presença me furta,
pelo atalho da saudade,
torno a distância mais curta.

Escrava do teu fascínio,
penso, às vezes, ter direito
de me caber o domínio
das batidas do teu peito

Minha jangada se lança
num mar revolto e jamais
deixa no cais a esperança
ou volta, sem ela, ao cais...

Teu desprezo me condena
a viver na solidão,
sem ver que já pago pena
maior que a condenação...

Sofrimento não me assombra!
Se nos porões, eu me fiz
não vai ser mais uma sombra
que irá fazer-me infeliz.

Nada prometas, nem peças
que eu siga a tua jornada,
que é inútil fazer promessas
a quem não crê mais em nada...

O Destino com seu laço
bendito e, às vezes, ferino,
me relegando ao fracasso
deu um nó no meu destino.

A distância achando meios
para unir nossas metades,
somou nossos devaneios
e dividiu as saudades!...

Nestas horas de abandono,
não ligo a insônias, porque
eu nem preciso de sono
para sonhar com você...

Às vezes, na despedida,
num simples modo de olhar
se diz o que em toda a vida
ninguém ousa revelar.

A jura que eu fiz, um dia,
quando antevia a saudade,
não passou de fantasia
com roupagem de verdade...

Vi, contemplando o teu rosto,
que a idade fez mais bonito,
que a penumbra de um sol-posto
também põe luz no infinito.

Só é feliz quem supera
o conflito da esperança
entre o muito que se espera
e o pouco que a gente alcança.

Buscando, em vão, tua volta,
o torpor de quem delira,
minha saudade te escolta
numa volta de mentira!...

O teu desprezo me agride,
mas o teu olhar aceso
sugerindo que eu revide
agride mais que o desprezo!

Meia-luz não me tortura
nem faz pesar minha cruz,
porque a penumbra é a mistura
que Deus faz de treva e luz!

Ao caíres em fracassos
em meio à falta de luz,
carregarei nos meus braços
os braços da tua cruz.

Não deixe as cartas que eu mando
sem respostas, por favor,
porque é bom de vez em quando
reler mentiras de amor.

Tentei manter limitadas
minhas horas de emoção,
mas não andam de mãos dadas
o sentimento e a razão!

Em face da discrepância
existente entre os conceitos,
procuro sempre distância
dos que julgam perfeitos.

As mães são divinas plantas
que deram flores, sementes.
Para Deus são todas santas
com milagres diferentes.

Quem vive a se maldizer
invejando a sorte alheia,
jamais poderá erguer
nem um castelo de areia.

Porque a sorte deu-me as costas,
na luta inglória e sofrida,
eu não encontro respostas
para as perguntas da vida.

Se tens medo dos venenos
que fazem de nós, que partas;
mas devolve pelo menos
as cinzas das minhas cartas.

Por saber que não te alcanço
nem me abres jamais as portas,
vou de remanso em remanso,
como um rio de águas mortas.

Se não fosse a timidez
a tolher minha razão,
eu te diria "talvez"...
em vez de dizer-te: "não"!...

Partiste... e não me lamento
nem em prantos me consumo,
que eu já sei que és como o vento,
que muda sempre de rumo...

Ao caíres em fracassos
em meio à falta de luz,
carregarei nos meus braços
os braços da tua cruz.

Não deixe as cartas que eu mando
sem respostas, por favor,
porque é bom de vez em quando
reler mentiras de amor.

Tentei manter limitadas
minhas horas de emoção,
mas não andam de mãos dadas
o sentimento e a razão!

Em face da discrepância
existente entre os conceitos,
procuro sempre distância
dos que julgam perfeitos.

As mães são divinas plantas
que deram flores, sementes.
Para Deus são todas santas
com milagres diferentes.

Foste embora... e a vida segue,
malgrado o sonho desfeito,
fazendo com que eu carregue
um mito morto no peito.

O vazio me incomoda,
pois, com seu relho ferrenho,
chicoteia, aturde e poda
todos os sonhos que eu tenho!

Perdoei, amor, aquelas
palavras mordazes, cruas,
que, embora amargas são belas,
quando são palavras tuas.

Revivendo o meu passado,
me torturo de tal jeito,
que chego a crer que é pecado
guardar saudades no peito !
Se houver um conflito cala,
porque em plena discussão,
quanto mais a gente fala,
tanto mais perde a razão.

Para sofrer por amor
Não há limite de idade,
Pois seja em que tempo for,
Saudade é sempre saudade...

Na presença de um Juiz
murmurei sim: que tolice...
- Foi o " sim" mais infeliz
que um ser humano já disse! ...

O circo fechou... e agora
que o fracasso veio à tona
o palhaço, triste, chora
escondido atrás da lona...

Quando sereno me afagas,
pareces um mar bravio
que, sem o arrojo das vagas,
vira remanso de rio...

Por teu amor me perverto
e aceito qualquer proposta,
mas não pode haver acerto
para apelos sem resposta...

Por ciúmes vejo, agora,
já bem perto da partida
que acabei jogando fora
metade da minha vida .

Mesmo vivendo em conflito,
vencendo mágoas e intrigas,
o nosso amor infinito
suporta o peso das brigas.

Se a fortuna não te alcança,
não desesperes jamais,
pois quem não perde a esperança
já tem riqueza demais.

Quis brindar no teu regresso,
o amor que ressuscitou,
mas vi no teu rosto, impresso ,
que só teu corpo voltou...

Em teus momentos de fúria,
não dou resposta ao que dizes,
pois não vai ser outra injúria
que vai curar cicatrizes...

Não sabia onde nem quando
perdi meu sonho, querido,
mas, de novo te encontrando,
achei meu sonho perdido.

Quem quer fugir de um suplício
e no abismo não se joga,
diz Não! à droga do vício
que torna a vida uma droga !

A saudade é um bem guardado
que nos volta, de repente,
num presente do passado,
quando o passado é presente.

Escrava do teu fascínio,
penso, às vezes ter direito
de me caber o domínio
das batidas do teu peito.

O ninho de amor que outrora
guardava o nosso carinho,
vazio de amor, agora
nem parece o mesmo ninho...

A saudade é um bem guardado
que nos volta, de repente,
num presente do passado,
quando o passado é presente.

Recebe luzes divinas
para dar alívio à cruz,
que carrega nas retinas
dois candelabros sem luz.

A ser feliz não me furto,
mas tentando te esquecer,
meu tempo ficou tão curto
que me esqueci de viver...

Eu não te culpo, querido,
se entre nós deu tudo errado,
que, em amor mal resolvido,
não há somente um culpado.

Aquele que um Deus aceita
e encontra a paz nos seus ritos,
nem sente que a vida é feita
de um turbilhão de conflitos.

Quando estás muito afastado
e te escrevo com rudeza,
não é que eu tenha mudado,
nem é ciúme: é tristeza...

Meu mundo era um mundo puro,
mas o destino vilão
trocou meu mundo seguro
pelo caos de um mundo cão...

Que eu creia em tuas saudades
é debalde que sugiras,
pois, no amor, grandes verdades
escondem grandes mentiras!

Carrego triste os escombros
da vida alegre que eu tinha,
e deixou sobre os meus ombros
uma cruz que não é minha...

O amigo que estende a mão
nos momentos de perigo,
é mais irmão que um irmão
que não sabe ser amigo...

Protegendo os inocentes
é que Deus, sábio demais,
põe cenários diferentes
nas impressões digitais!...

Dei asas à fantasia...
e pequei por não saber
que o meu direito valia
muito menos que o dever...

Perdoa aquele que nega
o teu mérito evidente,
que o despeito às vezes, cega
os olhos de muita gente!

Quando o mar lhe empresta o espaço
da vazante da maré,
a praia, usando o sargaço,
tece mantas de croché...

Já passei por muito aperto,
porém, passado o perigo,
transformo o abismo em acerto
e acerto as contas comigo.

Partiste... e na despedida
no teu "ar" de quem conspira,
vi quando perdi de vida
com um sonho de mentira...

Vai devagar, coração,
controla a tua ansiedade,
porque, às vezes, solidão
dói menos do que saudade...

Timidez parece praga...
quando chega de repente,
sem pedir licença estraga
todos os planos da gente.

Às vezes, somos felizes,
mas um erro pequenino
que se esconde entre os deslizes
trabalha contra o destino...

O mar, com véus de cambraia,
que tece fio por fio,
cobre as areias da praia,
quando a praia sente frio...

Que era a culpada julgava,
mas, no momento de adeus,
eu percebi que era escrava
dos deslizes que eram teus.

Meu remorso se restringe
à minha mudança brusca
cada vez que você finge
que me ilumina... e me ofusca.

Deixaste de me escrever,
e agora, sem lenitivo,
nem sei como vou viver,
se deste amor é que eu vivo.

É mais triste a hipocrisia,
mais profunda a cicatriz
de quem demonstra alegria
para fingir que é feliz!

Viva o agora intensamente,
que é sempre muito inseguro
trocar o instante presente
por instantes do futuro.

Se voltas arrependido.
dói tanto a tua amargura
que eu posso ouvir o gemido
da chave, na fechadura.

Já sofri muito em segredo,
e agora que me refiz,
sou feliz, mas tenho medo
de dizer que sou feliz!

O teu ciúme doentio
que, em vez de unir nos afasta,
é igual à pedra de rio
que nem o limo desgasta!

Quase chegando ao poente,
temendo um fim prematuro,
aceito como um presente,
meu presente sem futuro...

Agora o que me conforta,
ao ver meu mundo ruir,
é saber que uma outra porta
noutro mundo há de se abrir!...

A vida é estranha aquarela
que, conforme a sorte pinta,
dá luz e beleza à tela
ou somente espalha a tinta...

Porque a vida é a maior graça,
a minha alma se angustia
por ver que um dia que passa
é sempre menos um dia...

Sentindo que o tempo corre,
eu tenho medo do fim:
cada minuto que morre
mata um pouquinho de mim...

Sou demais agradecida
por tudo quanto alcancei
porque recebo da vida
muito mais do que sonhei!...